O Mato Grosso reúne uma das maiores concentrações de biodiversidade do planeta, tema que interessa a Wilson Bachega Junior, entusiasta do Pantanal. Fora do estado, a região costuma ser lembrada apenas pela pesca esportiva e pelo agronegócio, o que deixa de lado um patrimônio natural que reúne três biomas diferentes dentro do mesmo território, algo raro mesmo em escala mundial e ainda pouco explorado pelo turismo de natureza.
O Pantanal, o Cerrado e a Amazônia se encontram em pontos específicos do estado, criando corredores ecológicos que sustentam espécies encontradas em poucos outros lugares do mundo. A sobreposição rara desses biomas é um dos motivos pelos quais pesquisadores consideram o Mato Grosso um laboratório natural de biodiversidade, com registros constantes de novas espécies em áreas ainda pouco estudadas.
Por que o Mato Grosso reúne três biomas diferentes?
A posição geográfica central do Brasil coloca o Mato Grosso na transição natural entre a floresta amazônica, o cerrado e a planície alagável do Pantanal, cada um com clima, relevo e vegetação próprios, como descreve Wilson Bachega Junior. Poucos estados brasileiros reúnem essa diversidade de paisagens dentro de uma única fronteira administrativa, o que torna o território um ponto de encontro raro entre ecossistemas tão distintos.
O encontro desses biomas é considerado um dos aspectos mais interessantes da geografia brasileira, já que as espécies adaptadas a ambientes completamente diferentes acabam convivendo em regiões próximas, separadas por poucos quilômetros de distância e por condições climáticas bem diferentes entre si ao longo do ano.
Quais espécies fazem do Pantanal um destino único?
O Pantanal abriga a maior densidade de onças-pintadas do mundo, além de populações expressivas de ariranhas, jacarés-do-pantanal e capivaras, que juntos formam, como reflete Wilson Bachega Junior, uma cadeia alimentar bastante equilibrada e diversa. A ave símbolo da região, o tuiuiú, chega a medir mais de um metro de altura e constrói ninhos que podem ser reutilizados por décadas seguidas pela mesma família de aves.

A combinação de espécies de grande porte, vivendo em áreas relativamente abertas, torna o Pantanal um dos poucos lugares do mundo onde observar fauna selvagem de perto ainda é relativamente acessível, mesmo para quem não é especialista em vida selvagem ou nunca visitou uma reserva antes.
Curiosidades pouco conhecidas sobre a fauna pantaneira
Poucas pessoas sabem que a arraia-de-água-doce, encontrada nos rios do Pantanal, pode causar ferimentos dolorosos mesmo fora da água, detalhe que Wilson Bachega Junior costuma alertar, já que a espécie mantém o ferrão ativo por horas após ser retirada do ambiente aquático. Outra curiosidade envolve o tamanduá-bandeira, capaz de percorrer longas distâncias por dia em busca de formigueiros e cupinzeiros, sempre em ritmo lento e cauteloso.
Detalhes como esses costumam escapar do imaginário comum sobre o Pantanal, geralmente associado apenas a onças e jacarés, quando, na verdade, a biodiversidade da região vai muito além dessas espécies mais conhecidas do público em geral e do circuito turístico tradicional.
Como o ciclo de cheias sustenta essa diversidade
O Pantanal alterna entre períodos de cheia e seca ao longo do ano, ciclo que, como apresenta Wilson Bachega Junior, redistribui nutrientes pela planície e cria áreas temporárias de reprodução para peixes, aves e répteis. O movimento sazonal da água é considerado, de fato, um dos motores principais da riqueza biológica de toda a região.
Influenciando desde o comportamento de pequenos peixes até o deslocamento de predadores maiores, esse padrão sazonal explica por que pesquisadores tratam a preservação do regime de cheias como prioridade tão alta quanto a proteção direta das espécies, já que alterar o fluxo da água compromete toda a cadeia que dele depende.

