Paulo Roberto Gomes Fernandes evidencia que eventos técnicos costumam revelar mais sobre o futuro de um setor do que muitos relatórios formais, especialmente quando concentram, em poucos dias, empresas, reguladores e especialistas que lidam diariamente com os gargalos reais da indústria. Foi exatamente esse o papel desempenhado pela edição de 2013 da Rio Pipeline Conference & Exposition, realizada entre 24 e 26 de setembro, no Rio de Janeiro, em um contexto no qual o Brasil buscava conciliar a expansão da produção de óleo e gás com limites logísticos cada vez mais evidentes.
Naquele período, a discussão sobre dutos deixava de ser apenas operacional para ganhar contornos estratégicos. O crescimento da produção, impulsionado por grandes projetos de refino e pela expectativa de aumento consistente da oferta de petróleo e gás, colocava pressão direta sobre a infraestrutura existente. A Rio Pipeline passou a funcionar como um espaço de convergência para debates sobre produtividade, eficiência logística e, sobretudo, sobre a capacidade do país de escoar volumes crescentes com segurança e competitividade, sem ampliar custos sistêmicos ou riscos operacionais.
Produtividade e eficiência como eixo do debate técnico
Diferentemente de edições anteriores, a Rio Pipeline 2013 assumiu de forma explícita o tema da eficiência logística como fio condutor dos debates. Não se tratava apenas de apresentar novos equipamentos, mas de discutir modelos construtivos, soluções de suportação, manutenção e estratégias de operação capazes de reduzir custos ao longo de todo o ciclo de vida dos ativos. Esse deslocamento do foco indicava uma maturidade maior do debate técnico no setor.
Sob a ótica de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a indústria começava a compreender que ganhos marginais de produtividade, quando aplicados a sistemas extensos como malhas dutoviárias, produzem impactos econômicos relevantes. Nesse sentido, a feira funcionou como um termômetro das preocupações que passaram a dominar a agenda técnica brasileira, refletindo uma transição gradual para uma visão mais integrada entre engenharia, logística e planejamento.

Intercâmbio internacional e inovação aplicada
Com cerca de 150 expositores de aproximadamente 20 países, a edição de 2013 reforçou o caráter internacional do evento. Empresas estrangeiras trouxeram experiências de mercados mais maduros, enquanto companhias brasileiras apresentaram soluções desenvolvidas para enfrentar desafios locais, muitas vezes mais complexos do que os observados em outros contextos. Esse intercâmbio consolidou-se como um dos principais ativos da Rio Pipeline.
Entre os destaques anunciados para a feira esteve a apresentação de soluções inéditas para a suportação permanente de dutos de grandes diâmetros, desenvolvidas para a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Esses projetos chamaram atenção justamente por não se limitarem ao conceito, mas por já estarem em operação. Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, esse tipo de inovação aplicada representa um diferencial da engenharia brasileira, cada vez mais orientada a soluções sob medida.
Reconhecimento técnico, regulação e visão de futuro
A programação da conferência incluiu a entrega do Global Pipeline Award, prêmio promovido pela American Society of Mechanical Engineers e considerado o mais relevante da indústria mundial de dutos. O histórico de vencedores, incluindo empresas brasileiras, reforçou a percepção de que o país possui competência técnica reconhecida internacionalmente. Paulo Roberto Gomes Fernandes ressalta que esse reconhecimento deve ser entendido como um ativo estratégico, capaz de ampliar a credibilidade das soluções nacionais no exterior.
Outro eixo importante da Rio Pipeline 2013 foi o debate regulatório. A ampliação da malha dutoviária exige não apenas investimentos privados, mas também marcos regulatórios claros e alinhados às novas tecnologias. Questões relacionadas ao licenciamento ambiental, às normas técnicas e à integração entre modais estiveram presentes nas discussões. Na leitura de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a regulação precisa acompanhar o ritmo da inovação, sob pena de soluções tecnicamente viáveis ficarem represadas.
Autor: David Brown

