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Governança e tomada de decisão em crises: o que Rodrigo Gonçalves Pimentel comenta sobre estruturas que protegem o negócio em adversidade?

Diego Rodríguez VelázquezPor Diego Rodríguez Velázquez01/06/2026Nenhum comentário6 Mins de leitura
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Rodrigo Gonçalves Pimentel
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Rodrigo Gonçalves Pimentel costuma observar que é durante as crises que empresas familiares descobrem se construíram apenas crescimento ou também capacidade de continuidade. Advogado e filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, ele acompanha cenários em que negócios aparentemente sólidos revelam fragilidades profundas justamente nos momentos em que decisões precisam ser tomadas com rapidez, clareza e coordenação. Em estruturas sem governança formalizada, a pressão causada por crises financeiras, conflitos familiares ou mudanças inesperadas de liderança tende a ampliar disputas internas, comprometer a qualidade das decisões e dificultar respostas estratégicas quando o tempo se torna um fator crítico. 

A diferença entre empresas que atravessam períodos turbulentos fortalecidas e aquelas que não conseguem sustentar sua estabilidade raramente está apenas na gravidade do problema enfrentado, mas na qualidade da estrutura que organiza a reação da família e da empresa diante da crise. Ao longo deste artigo, você vai entender por que a governança não serve apenas para organizar períodos de estabilidade, mas principalmente para proteger a continuidade empresarial quando ela passa a ser colocada à prova.

Governança construída antes da crise

Empresas familiares costumam perceber a importância da governança justamente nos momentos em que a ausência dela começa a produzir consequências práticas. Enquanto o cenário é estável, a liderança centralizada do fundador frequentemente consegue manter decisões alinhadas, conflitos sob controle e operações funcionando sem grandes dificuldades. Porém, quando a empresa enfrenta uma crise financeira, societária ou sucessória, essa dinâmica muda rapidamente. A pressão por respostas imediatas expõe a falta de processos claros, dificulta a tomada de decisões estratégicas e aumenta o risco de disputas internas em um momento que exige coordenação.

Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel

Rodrigo Gonçalves Pimentel explica que as crises funcionam como um teste de resistência para a estrutura institucional da empresa familiar. Negócios que pareciam sólidos em períodos favoráveis muitas vezes descobrem que dependiam exclusivamente da presença e da autoridade individual do fundador para manter estabilidade e direção estratégica.

É justamente nesse cenário que estruturas de governança bem definidas fazem diferença. Conselhos organizados, critérios claros de decisão, regras sucessórias e divisão formal de responsabilidades ajudam a reduzir a influência do fator emocional sobre escolhas críticas e permitem que a empresa mantenha capacidade de reação mesmo sob pressão.

Como estruturas de governança sólidas respondem melhor a crises?

Empresas com governança formalizada enfrentam crises com vantagens estruturais concretas que vão além da qualidade individual dos seus líderes. O conselho de administração oferece um fórum de deliberação que funciona mesmo quando as relações pessoais entre os sócios estão tensionadas pela pressão da crise. Os processos de tomada de decisão formalizados garantem que informações relevantes sejam consideradas antes de escolhas irreversíveis. E a separação clara entre papéis e responsabilidades evita que a crise produza disputas de autoridade que consomem energia que deveria estar sendo direcionada para a solução do problema.

Na análise de Rodrigo Gonçalves Pimentel, a governança em tempo de crise não é apenas uma questão de eficiência decisória. É uma questão de legitimidade. Decisões tomadas dentro de um processo formal, com participação dos stakeholders relevantes e registro adequado do raciocínio que as motivou, têm uma qualidade de aceitação que decisões unilaterais tomadas sob pressão raramente conseguem alcançar. Essa legitimidade é especialmente importante quando a crise exige sacrifícios de algum dos membros da família, situação em que a ausência de um processo decisório transparente tende a produzir ressentimentos que persistem muito além da resolução do problema imediato.

Quais elementos de governança são mais críticos em cenários de crise?

Nem todos os elementos de uma boa estrutura de governança têm o mesmo peso em cenários de crise. Alguns são mais críticos do que outros para garantir que a empresa mantenha sua capacidade de resposta sem comprometer a coesão familiar. Entre os mais relevantes para esse contexto específico, destacam-se:

  • Clareza sobre quem decide o quê: sem uma definição precisa de alçadas e responsabilidades, crises tendem a produzir disputas sobre quem tem autoridade para tomar cada decisão, consumindo tempo e energia que deveriam estar a serviço da solução;
  • Processos de comunicação interna formalizados: canais claros para o fluxo de informações entre os membros da família, os gestores e o conselho garantem que todos os tomadores de decisão relevantes tenham acesso às mesmas informações no mesmo momento, reduzindo o risco de decisões baseadas em percepções divergentes da realidade;
  • Mecanismos de deliberação ágil: processos que permitem ao conselho de administração deliberar com rapidez em situações de urgência, sem abrir mão do rigor necessário para decisões irreversíveis de grande impacto;
  • Planos de contingência previamente desenvolvidos: cenários de crise que foram antecipados e para os quais existem respostas pré-definidas permitem que a empresa reaja com velocidade e coerência em vez de improvisar sob pressão.

O papel da confiança interna na resposta a crises

Por trás de todos os elementos formais de uma boa estrutura de governança, há um elemento que nenhum documento jurídico consegue criar, mas que todos os documentos jurídicos deveriam contribuir para sustentar: a confiança mútua entre os membros da família e entre a família e os gestores profissionais da empresa. Em crises, essa confiança é o que permite que decisões difíceis sejam tomadas e aceitas, que sacrifícios sejam feitos sem produzir rupturas e que a empresa mantenha sua coesão interna enquanto enfrenta a pressão externa.

Conforme aponta Rodrigo Gonçalves Pimentel, a governança bem construída é, em sua essência, uma estrutura de produção e manutenção de confiança. Quando as regras são claras, os processos são transparentes e os papéis são respeitados, a confiança se desenvolve naturalmente ao longo do tempo. E, quando a crise chega, essa confiança acumulada é o ativo mais valioso que a empresa pode ter, porque é o que permite que pessoas com interesses diferentes trabalhem juntas na direção de um objetivo comum em condições de alta pressão e incerteza.

Crises como oportunidade de fortalecer a governança

Empresas que conseguem atravessar crises graves frequentemente saem desse processo com estruturas de governança mais maduras e organizadas do que possuíam antes. Isso acontece porque momentos de instabilidade tornam visíveis fragilidades que a rotina operacional costumava esconder, criando o senso de urgência necessário para implementar mudanças que por anos foram adiadas dentro da família empresária.

Assim como conclui Rodrigo Gonçalves Pimentel, famílias que utilizam a crise como ponto de reorganização institucional tendem a construir uma resiliência muito mais duradoura do que aquela baseada apenas na capacidade financeira do negócio. Quando governança, sucessão e critérios de decisão passam a ser tratados de forma estruturada, a empresa desenvolve condições para enfrentar futuras adversidades com mais estabilidade, coordenação e capacidade de adaptação, protegendo não apenas o patrimônio acumulado, mas também a continuidade construída ao longo das gerações.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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