Frutas, verduras, legumes, raízes, mel, pães e doces produzidos por agricultores familiares passam a integrar uma nova etapa de abastecimento da rede socioassistencial de Campo Grande. O fornecimento começou em outubro por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que prevê a aplicação de R$ 500 mil na compra direta de produtos da agricultura familiar do município.
A iniciativa conecta dois pontos da política pública: a geração de renda para pequenos produtores e a oferta de alimentos à população atendida por entidades sociais. Os produtos são encaminhados inicialmente à Central de Segurança Alimentar e Nutricional e, depois, destinados a organizações da rede socioassistencial da Capital sul-mato-grossense.
De acordo com a publicação da Prefeitura de Campo Grande, por meio do CGNotícias, a chamada pública contempla até 72 tipos de alimentos. A relação reúne itens in natura e produtos processados, ampliando a variedade que poderá chegar às entidades responsáveis pelo atendimento social.
Fornecimento segue até abril de 2027
O cronograma definido no edital prevê que a etapa de fornecimento ocorra entre 5 de outubro de 2026 e 5 de abril de 2027. Com isso, a compra pública foi estruturada para manter, ao longo de seis meses, a entrega de alimentos produzidos por agricultores familiares selecionados conforme as regras da chamada pública.
O limite de comercialização estabelecido é de até R$ 7.500 por agricultor familiar identificado pelo Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). O valor individual está condicionado à disponibilidade financeira do programa e aos registros existentes no sistema federal, critérios que organizam a participação dos produtores e a execução dos recursos previstos.
Na prática, o modelo permite que a produção local seja adquirida por uma política pública e direcionada a equipamentos e entidades de assistência social. A Central de Segurança Alimentar e Nutricional funciona, nesse fluxo, como ponto de recebimento antes da distribuição posterior para a rede socioassistencial de Campo Grande.
Produção local chega a entidades sociais
A compra de alimentos diretamente da agricultura familiar dá ao programa uma dupla finalidade. De um lado, cria uma oportunidade de comercialização para produtores que participam da chamada pública. De outro, abastece entidades que recebem os produtos para suas ações junto ao público atendido pela assistência social.
O desenho da iniciativa também mostra que a agricultura familiar participa de circuitos de abastecimento voltados ao próprio município. Em vez de se limitar às grandes cadeias produtivas, a política inclui hortaliças, frutas, raízes, mel, panificados, doces e outros itens que podem ser produzidos e processados por agricultores familiares.
A Prefeitura informa que a nova fase é executada em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A cooperação reúne a gestão municipal e o órgão federal na aplicação dos recursos e na destinação dos alimentos para a segurança alimentar e a rede socioassistencial.
Etapa anterior distribuiu quase 60 toneladas
O programa já havia realizado uma etapa anterior em Campo Grande entre outubro de 2025 e abril de 2026. Segundo os dados divulgados pela administração municipal, aquele ciclo reuniu 82 agricultores e distribuiu quase 60 toneladas de alimentos para 73 entidades.
Esse resultado é apresentado como antecedente da nova chamada pública e ajuda a dimensionar o alcance da política no município. A edição atual mantém a lógica de aproximar produtores e entidades sociais, mas estabelece novo período de fornecimento, valor global de R$ 500 mil e limite individual associado ao CAF.
O edital da chamada pública foi publicado no Diário Oficial de Campo Grande em 31 de agosto de 2026, conforme informado pela Prefeitura. A partir das regras divulgadas, os agricultores familiares participantes passam a ter um calendário definido para fornecer os produtos, enquanto a rede socioassistencial recebe alimentos destinados às suas atividades.
Para Campo Grande, o PAA representa uma ação localizada de abastecimento e segurança alimentar. A compra pública movimenta a produção de agricultores familiares da Capital e direciona os alimentos para entidades que integram a estrutura de atendimento social, estabelecendo uma relação direta entre campo, administração pública e população assistida.

