Anciãos ajudam Justiça Eleitoral a traduzir regras das eleições para indígenas

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Os povos indígenas têm grande respeito pelos moradores mais velhos de cada aldeia. Com poucos registros escritos do que acontece na comunidade, os anciãos costumam ser os moradores com mais saber acumulado. Este ano, eles ganharam uma função ainda mais especial, já que estão ajudando a Justiça Eleitoral a traduzir para as línguas indígenas o que é uma eleição.

A medida foi tomada após caciques no Tocantins denunciarem que políticos estavam percorrendo as aldeias tentando enganar os moradores para conseguir votos. Os casos teriam ocorrido em 2016.

“Se queixavam da invasão de não índios dentro dessas comunidades, aliciando, comprando votos e prometendo benefícios em troca do voto, e comunidades que acabaram ao final do pleito perdendo os seus representantes dentro das Câmaras de Vereadores”, explica o juiz eleitoral Wellington Magalhães.

Para ajudar os índios a entender as regras e o significado de uma eleição, o Tribunal Regional Eleitoral pediu que os anciãos ajudassem a preparar uma cartilha com tudo o que os eleitores precisam saber.

“O nosso saber está fundamentado no conhecimento dos nossos anciões. Somos a biblioteca da aldeia e queremos transmitir para os mais novos”, explica um deles, do povo Xerente, no idioma dele.

O material já está pronto e a distribuição começou. Caminhonetes do TRE enfrentam estradas de terra, pontes de madeira em condições precária e as grandes distâncias. A maioria das aldeias ficam em áreas isoladas, como a Ilha do Bananal.

“Eu creio que vai funcionar porque a nossa língua, né? Ela fala a nossa linguagem. Então a justiça eleitoral trouxe a nossa linguagem”, completa Sinval Xerente, professor que ajudou no trabalho.

Fonte: https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2018/10/05/anciaos-ajudam-justica-eleitoral-a-traduzir-regras-das-eleicoes-para-indigenas.ghtml

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