Tiago Oliva Schietti, empresário que acompanha de perto as diferentes formas como os brasileiros se organizam financeiramente para os grandes projetos da vida, tem uma observação interessante sobre um uso do consórcio que raramente aparece nas conversas sobre o tema: o planejamento da educação superior dos filhos.
Pais que começam a pensar na faculdade quando a criança ainda está no ensino fundamental têm, à sua frente, um horizonte de tempo generoso, normalmente entre dez e quinze anos. É justamente esse tipo de prazo longo, associado a um objetivo bem definido, que costuma se encaixar com naturalidade na lógica do consórcio de serviços, modalidade que passou a admitir também cursos e formações educacionais dentro de suas categorias regulamentadas.
Diferentemente de uma poupança tradicional, cujo sucesso depende inteiramente da disciplina de quem está guardando o dinheiro, o consórcio formaliza esse compromisso em contrato, com parcelas fixas e um objetivo claro. Para muitos pais, essa formalização funciona como um mecanismo externo de disciplina financeira, reduzindo a chance de que o dinheiro reservado para a faculdade acabe sendo usado para outras finalidades ao longo do caminho.
O desafio de calcular o valor certo com tanta antecedência
Existe, porém, uma dificuldade real nesse tipo de planejamento: estimar hoje quanto custará uma graduação daqui a dez ou quinze anos. Os valores de mensalidades universitárias tendem a subir ao longo dos anos, e um cálculo feito de forma otimista no início pode se revelar insuficiente quando o momento da matrícula finalmente chegar.
O empresário, Tiago Oliva Schietti, sugere que famílias nessa situação trabalhem com uma margem de segurança generosa ao definir o valor da cota, evitando surpresas desagradáveis lá na frente. Outra alternativa é combinar o consórcio com outras formas de investimento, direcionando parte dos recursos para uma aplicação que também sirva de reforço, caso o valor da carta de crédito não seja suficiente para cobrir o custo total do curso escolhido.

E se o filho decidir não cursar uma faculdade?
Uma dúvida natural de quem considera esse planejamento tão cedo é o que fazer caso o filho, ao crescer, opte por um caminho diferente da graduação tradicional: um curso técnico, uma formação profissionalizante ou até o empreendedorismo. Como o consórcio de serviços costuma permitir alguma flexibilidade dentro da categoria contratada, muitas vezes é possível redirecionar a carta de crédito para outro tipo de formação ou curso, desde que dentro das regras previstas pela administradora. Tiago Oliva Schietti pondera que essa flexibilidade reduz consideravelmente o risco de a família ficar “presa” a um objetivo que, com o passar dos anos, pode não fazer mais sentido para o próprio filho.
Flexibilidade na hora de usar a carta de crédito
Um aspecto que costuma surpreender positivamente os pais é a flexibilidade de algumas administradoras quanto à definição da instituição de ensino: como o contrato normalmente não exige a escolha da faculdade no momento da adesão, a família tem liberdade para decidir a instituição mais adequada apenas quando a contemplação acontece, o que é especialmente útil considerando que ninguém sabe, com anos de antecedência, qual curso ou universidade o filho vai escolher.
Vale lembrar, contudo, que a contemplação depende de sorteio ou lance, e não tem data garantida. Assim, para famílias que já sabem a data exata do vestibular ou do início da faculdade, pode ser necessário planejar lances ao longo do caminho, direcionando parte da economia familiar para acelerar a contemplação próximo ao momento em que o dinheiro realmente será necessário, um cuidado que, segundo Tiago Oliva Schietti, faz toda a diferença entre um planejamento bem-sucedido e uma corrida contra o tempo no último ano antes da faculdade.
Uma decisão que vale a pena simular com calma
Tiago Oliva Schietti sugere que famílias interessadas nessa estratégia simulem diferentes cenários antes de decidir: comparem o custo total do consórcio, incluindo a taxa de administração, com alternativas como um investimento de longo prazo, e considerem também a disciplina necessária para manter os pagamentos em dia por um período tão extenso quanto o da criação de um filho.
Assim, entender essa possibilidade amplia o leque de estratégias disponíveis para quem já enxerga, mesmo que distante no calendário, o peso financeiro que a educação superior de um filho representará e prefere se organizar com antecedência a correr atrás do valor no último momento, como costuma recomendar o empresário a quem busca sua orientação.

